QUARTA-FEIRA, 30 JULHO 2014
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Pela liturgia, a igreja celebra todos os anos na quinta-feira depois da Oitava do Pentecostes uma festa em honra do mistério da eucaristia. Denominada Corpus Christi, a festa viria a ser universalmente aceite, pensando-se que, em Portugal, teve lugar no reinado de D. Afonso III, ainda sem procissão. Esta viria a incorporar-se no tempo de D. João I, já com a presença de um cavaleiro personificando o Padroeiro do Reino - S. Jorge.

A procissão, que se mantém até aos dias de hoje, representava um acontecimento em todo o território nacional, sendo uma solenidade muito respeitada e participada, onde as figuras mais representativas estavam presentes. Na capital do pais, cabia ao Rei e aos Príncipes segurar as varas do Pálio debaixo do qual o Patriarca conduzia a custódia.

Monção acompanhou a celebração do Corpo de Deus ao longo dos séculos, mantendo todo o esplendor religioso próprio de uma grande festa. Na procissão, tomam parte todas as Cruzes e Pendões das paróquias que formam o arciprestado de Monção, com as respectivas irmandades a distinguirem-se pelo colorido das opas.

Dado o apego à terra da população local, o nosso concelho não dispensa também a presença do chamado Boi Bento, animal enfeitado e bem tratado, que vai na procissão, homenageando o grande 'companheiro' das lides da lavoura que, durante séculos, ocupou grande parte da população da região minhota.

Após o percurso pelos lugares do costume, a procissão recolhe à Igreja Matriz e o povo desloca-se em massa para o anfiteatro do Souto, onde terá lugar o torneio entre as forças do bem e do mal (da virtude e do pecado). O povo dispõe-se em redondel enquanto o cavaleiro S. Jorge, representando o bem, e a horrenda figura de um dragão conhecido por Coca, representando o mal, tomam posições.

O dragão, construído em tela sobre armação de madeira e com rodas disfarçadas sob as patas pintadas como garras de unhas aguçadas, é exteriormente empurrado por 4 a 6 valentes, também estes com um ou outro aperto ao longo do torneio, a provocarem a risota no público.

O bicho está pintado de verde e tem a cabeça móvel com goelas abertas e gulosas, sendo a mobilidade conseguida por outro valente que é transportado no interior do monstro. As cores berrantes e o tamanho provocam no cavalo que S. Jorge cavalga certos temores que impedem ou dificultam a aproximação suficiente para o guerreiro desferir os golpes castigadores do mal.

Entretanto, o público toma partido: pela Coca que este ano está a ser bem empurrada ou pelo Padroeiro do Reino que, fruto da experiência, consegue domar o cavalo perante os avanços do monstro. Com o decorrer dos minutos, o “combate” provoca a boa disposição na assistência que premeia com palmas as boas provas de um e de outro num claro sinal de independência.

O torneio demora o tempo que leve ao cansaço dos participantes activos ou vença a habilidade de S. Jorge concretizado na certeza dos golpes desferidos na "pobre" Coca que todos os anos, por uma ou outra razão, tem de ser restaurada pois lhe faltará a língua ou as orelhas. Conta a história que, caso vença S. Jorge, haverá um bom ano agrícola. Se a vitória sorrir à Coca, aproximam-se tempos de fome e miséria.

E sendo um torneio entre um dragão (mais ou menos estilizado ao gosto do artesão) e um cavaleiro, porquê o nome de Festa da Coca? Em etnografia há situações que, hoje, por falta de apontamentos da época, são apenas explicáveis por intuição ou por analogia.

É o que poderá acontecer com o termo Coca. Pode tal festa ser identificada com o nome de Coca por ser entre o bem e o mal e, no Minho, é vulgar ouvir-se a palavra Coca como sinónimo de raiva ou ódio. Festa da Coca seria assim a festa da raiva à maldade.

Coca é ainda uma máscara que se faz com a casca de uma abóbora (no Minho designada por coco), abrindo-se nela à imitação dos olhos e da boca. Por analogia da mascarada, em que uma figura local com vestes a propósito e a cavalo assume a figura de S. Jorge, pode ser que o povo à falta de melhor rótulo passasse a denominar o torneio como Festa da Coca.

O que se sabe e se verifica todos os anos é que os forasteiros e a população local ruma à sede do concelho em grande número na aludida quinta-feira do Corpo de Deus e se incorpora com recolhimento na parte religiosa para, no final, vibrar com o paganismo do torneio, fazendo promessas de voltar no ano seguinte.

Como episódio curioso, mas verídico, num ano em que a presença de espanhóis foi notória, uma "nuestra hermana" que veio a Monção para viver a solenidade, ficou de tal modo embasbacada frente à Coca que não atendeu ao repique dos sinos, chamando os crentes à missa, que antecede a saída da procissão. Quando de tal se apercebeu, exclamou pesarosa, mas convicta: "por causa de santa Coca perdi o demo da missa".

 
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